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  • 21.JAN - TENDÊNCIAS

    O futuro incerto do touchscreen

    O material usado em telas sensíveis ao toque está acabando. E ainda não há substituto para ele

    Um toque e um deslizar sobre a tela – e um novo mundo se abre na ponta dos seus dedos. E-mail, redes sociais, sites de notícias: navegar na web nunca foi tão fácil graças à tecnologia touchscreen dos mais recentes aparelhos móveis. Os donos desses produtos não precisam de muitos motivos para demonstrar as funções superiores de seus aparelhos. A tela sensível ao toque é rápida e divertida – é o futuro.

    No entanto, o touchscreen pode virar passado em pouco tempo, se não formos cuidadosos. Os gadgets atuais com telas touchscreen, assim como as telas de cristal líquido, dependem das propriedades incomuns de um único material – um híbrido metálico cuja fontes podem se esgotar em menos de uma década. E não são apenas as telas que estão sob ameaça. Células solares e LEDs de baixo consumo, ambos partes centrais da estratégia de energia com baixa emissão de carbono, podem ser afetadas. Não é surpresa, que empresas e laboratórios no mundo estejam lutando para encontrar um substituto.

    Se isso é novidade para você, é provável que nunca tenha ouvido falar no material que está causando toda essa confusão. Uma mistura de dois óxidos metálicos chamados Óxido de Índio-Estanho (OIE) é o material que engenheiros eletrônicos amam odiar. Seu componente principal, o índio, é um subproduto da mineração de chumbo e zinco, difícil de ser encontrado e bem caro. Quando chega à fábrica, sua fragilidade e sua falta de flexibilidade o tornam quase impossível de trabalhar.

    O carbono é um camaleão químico. Em alguns disfarces pretos, é o material que mais absorve a luz.

    Ainda assim, suas qualidades fazem os defeitos serem esquecidos. De maneira mais específica, trata-se de um raro exemplo de material que é, ao mesmo tempo, condutor de eletricidade e opticamente transparente, o que significa que não absorve os fótons de luz. A absorção ocorre quando a energia do fóton corresponde ao que é necessário para deixar o elétron em estado de excitação, isso quase sempre acontece. Assim, quase todos os metais são altamente absorventes, mas completamente opacos.

    O teclado virtual na tela touchscreen de um iPhone original.
    Não o OIE. É transparente como vidro, mas também conduz – não tanto como a maioria de metais, mas o suficiente. Essa característica o torna onipresente em aparelhos eletrônicos modernos que manipulam a luz. Nos televisores de tela plana, cada pixel é ligado ou desligado por um par de eletrodos de OIE transparentes.

    As telas sensíveis ao toque são as mais recentes inovações que dependem do OIE. Os primeiros gadgets que usaram touchscreen foram vendidos com uma caneta e duas camadas de OIE separadas por um pequeno vão. O toque nessa tela “analógica e resistiva” com a caneta colocava as duas camadas em contato, permitindo que uma corrente passase e fosse detectada pelo aparelho.

    A chegada de telas flexíveis e dobráveis é mais uma razão para buscar alternativas às telas sensíveis ao toque

    Mas por quanto tempo mais poderemos contar com o material por trás dessa maravilha? Ninguém sabe ao certo quando mais de índio exsiste no mundo. Uma pesquisa geológica dos Estados Unidos estima que as reservas mundiais de índio cheguem a 16 000 toneladas e estão em sua maioria na China. A divisão desse total pelo volume que estamos usando o material sugere que as reservas serão consumidas até 2020.

    Isso será resolvido apenas com o desenvolvimento de novos materiais que emulam a capacidade altamente desejável do OIE de combinar transparência e condutividade.

    Então, senhoras e senhores, preparem suas apostas. Prata, carbono, zinco, cádmio ou polímero? Qual será o sucessor do OIE? Nenhum mostra vantagem clara, mas a demanda em alta por telas touchscreen, assim como a corrida por inovação, indica que um desses materiais deve assumir o vácuo.

    Fonte - http://blog.avoado.com/2011/01/o-futuro-incerto-do-touchscreen/

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